Capítulo I - Prímicias

Histórias antigas revelam seu passado, muitos dizem que Teodor que conhecemos não é a mesma de cem anos atrás.

        Sentada em uma das poltronas, olhando para a janela, olhar distante e então, — O estranho Maycon é que não me sinto bem com isso, todos a desejaria, já eu não. 
— O que Teodor? — A observando atentamente, com um xícara de café em mãos.
— A eternidade Maycon. Já tem tanto tempo. — Desviando o olhar para a varanda, com o mesmo olhar tranquilo e voz mansa, desabafou: — Tem cem anos que não o vejo. — Colocando a xícara vazia na mesa de centro, a observa e então: — Quem Teodor? — Com o olhar em fúria, com mãos tremulas e em uma voz mansa, — Ora Maycon! Ele. Aquele que me deixou assim.

       Foi em uma tarde de sábado atarde, o calor era insuportável, como sinto falta daquele calor, hoje em dia nem isso eu sinto. Aqueles malditos pássaros, pareciam que tinham uma orquestra em suas gargantas. Aquela época, moças saiam de casas somente acompanhadas, mas eu não, sempre arrumava um jeito de escapar. Não era só nisto que me diferenciava das outras, eu odiava aqueles vestidos rodados que mamãe me dava, mesmo sabendo que eu odiava, que eu iria transformar eles em calças, ou tapetes, ela continuava a me presentear. Usar calças era apenas para homens, e pra mim. Papai dizia que eu tinha coração de homem, mesmo tento nascido mulher.

      Na quela tarde, mamãe estava enrolada com os preparativos do meu aniversário, iria fazer vinte anos, idade que toda moça escolhe seu pretendente a futuro esposo. Eu não queria me casar, queria viver, viajar, mas mamãe insistia com os vestidos rodados, para aquele aniversário que é uma passagem de vida, como ela mesmo diz, era um exagero, rosa pink  com bordado em prata. Sim, era lindo, lindo em outras, não em mim. Coloquei o maldito vestido e fui para frente do espelho, aquela refletida não era eu, tirei o vestido, coloquei minha calça, peguei meu cavalo e sai.

     Fui me refugiar em um lugar que no qual apenas eu sabia, atras da cachoeira das águas ruivantes. — Intrigado Maycon levantou da poltrona, pegou a xícara vazia e colocou mais um pouco de café. — Nome estranho para uma cachoeira Teodor. — Em um sorriso, com a mesma voz serena o olhou — Não é atoa que tem esse nome Maycon. Acreditam que a muitas décadas atrás viviam um casal de duas tribos rivais, se apaixonaram e foram se refugiar na cachoeira, eles tiveram um filho, por causa dese filho que a cachoeira recebeu este nome. Ele era um bebê lampifiro, isto mesmo que esta pensando Maycon. Seu pai era um lombo, e sua mãe uma vampira, e sim, foi ele que me deixou assim. 

Postado no dia 31, de December de 2012.
  1. princedecueca reblogged this from liric-a
  2. liric-a reblogged this from liric-a
  3. si-vertuntur reblogged this from safadow
  4. surfboar-d reblogged this from disturbia-action
  5. disturbia-action reblogged this from liric-a
  6. vag4bundo-tambem-am4 reblogged this from liric-a
  7. dornesa reblogged this from ecuar
  8. ecuar reblogged this from liric-a
  9. prayerss reblogged this from liric-a
  10. a-pequena-sufista reblogged this from debilorde
  11. debilorde reblogged this from h0spedeira
  12. h0spedeira reblogged this from liric-a
R